PODCAST: o bloco inclusivo que transforma o Carnaval de BH em território de preconceito zero
- eloarakarla
- há 1 dia
- 2 min de leitura

Numa mesa de calçada no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte, nasceu um dos blocos mais emblemáticos do Carnaval de BH quando o assunto é inclusão e combate ao preconceito. Entre o barulho da rua e o clima boêmio do Alto de Papel, Café e Arte, o artista plástico Marcelo Xavier - egresso da PUC Minas e cadeirante - ouviu do genro, Leo Medina, a pergunta que mudaria sua trajetória: “Por que você não faz um bloco? Você vai à frente e nós vamos atrás.” A resposta veio em forma de condição e manifesto. Ele aceitaria, sim, desde que fosse o Todo Mundo Cabe no Mundo: um bloco erguido sob o estandarte do “Preconceito Zero”, onde ninguém precisasse pedir licença para existir.
Criado em 2015, o bloco surgiu com uma proposta clara: enfrentar barreiras de acessibilidade e pertencimento no Carnaval de Belo Horizonte. Para Marcelo, o preconceito é “o grande veneno da sociedade”, algo que adoece o corpo social e compromete o processo civilizatório.
A resposta encontrada foi transformar a festa em ferramenta de transformação social. A bateria reúne pessoas com e sem deficiência. Não há distinção de lugar ou função: qualquer pessoa pode tocar, cantar ou dançar. A inclusão não é discurso, é prática incorporada ao desfile.
Todo mundo pode e se sacode no ritmo da dança
Ao longo dos anos, o cortejo consolidou-se como referência em Carnaval inclusivo em Belo Horizonte. Em 2025, o bloco deu novos passos ao emprestar cadeiras de rodas e oferecer audiodescrição ao vivo para pessoas com deficiência visual, ampliando o acesso e reafirmando o compromisso com a acessibilidade.

Entre os foliões está Marcos Roberto Nascimento, professor da PUC Minas. Fã da festa, ele enfrentava dificuldades com trajetos longos e multidões até receber, em 2017, o convite de Marcelo. Desde então, não deixou mais o bloco.
“É um momento muito especial para mim”, afirma. Ele destaca o percurso adaptado e o ambiente acolhedor, onde limitações físicas não determinam o tamanho da alegria.
O crescimento, porém, convive com desafios estruturais. Para 2026, o bloco não foi contemplado com o patrocínio da Prefeitura de Belo Horizonte, o que colocou em risco sua saída às ruas. Caminhão, estrutura e segurança elevam os custos de produção. Ainda assim, Marcelo mantém o tom de resistência. “Botar um bloco na rua é um esporte radical. Desafio é a cara da arte”, resume.
Gesto crítico

A trajetória do Todo Mundo Cabe no Mundo, símbolo de inclusão, diversidade e direito à cidade no Carnaval de BH, agora ganha registro no podcast da ADPUC Minas "Gesto Crítico", disponível no Spotify.
Com episódio de cerca de dez minutos, a série destaca essa história que articula cultura, cidadania e transformação social. Confira!
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