[NOTA] Quarenta anos depois: o capítulo que insiste em não fechar
- ADPUC MINAS
- há 16 horas
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Neste 31 de março, data que marca o golpe de 1964, a pergunta permanece: por que ainda convivemos com ecos tão presentes desse passado? Na nossa Comunidade Universitária celebramos recentemente, nas comemorações dos 40 anos da ADPUC Minas, a redemocratização e o retorno, na vida acadêmica, da liberdade de cátedra e do direito de organização dos corpos docente e discente na luta por uma educação de qualidade para a formar cidadãos e cidadãs. Essa memória se torna ainda mais significativa quando lembramos que em Minas Gerais, e em todo o Brasil, as universidades viveram sob vigilância constante. Pensar era perigoso. Mas a repressão ultrapassava os limites das salas de aula: censurava, perseguia, silenciava professores e estudantes. É nesse contexto que o filme "O Agente Secreto", em cartaz em todo o Brasil, nos ajuda a olhar para essa história com mais nitidez. Ao retratar a trajetória de um professor perseguido pela repressão, revela como o ambiente acadêmico foi atravessado pelo medo e pelo controle. Mais do que revisitar o passado, o filme nos desafia a perceber como essas marcas da repressão ainda permanecem. ![]() Um país que não enfrenta seu passado está condenado a repeti-lo.Não por acaso, as Universidades, principalmente em ano eleitoral, permanecem como alvo de discursos autoritários e antidemocráticos. Observamos a desvalorização da ciência, tentativas de controle ideológico, ataques à autonomia universitária e discursos e atitudes que deslegitimam o pensamento crítico. Professores e professoras continuam sob suspeita de “doutrinação”, em nome de supostos “bons costumes” e “isenção ideológica”. O cenário muda, mas a lógica persiste: controlar o pensamento para limitar o futuro. Por isso, construir memória não é escolha. É necessidade! E ela também se faz nas decisões do presente. Em 2024, por exemplo, a antiga Avenida 31 de Março (onde localiza-se as portarias 7, 8 e 9 da PUC Coração Eucarístico), foi renomeada para Avenida Edgar da Mata Machado, em homenagem ao professor da PUC Minas, jurista, jornalista e opositor da ditadura, perseguido e cassado pelo regime. Mais do que simbólico, é um posicionamento: substituir a marca do autoritarismo pela lembrança de quem resistiu. Esse mesmo compromisso orientou as discussões promovidas pela ADPUC Minas no último ano, ao refletir sobre a universidade e democracia nos 40 anos da redemocratização. ![]() Nessa ocasião, reafirmamos o papel fundamental da universidade na formação de uma sociedade crítica e consciente, além de destacar a importância de democratizar também suas próprias estruturas, tornando-as mais participativas, plurais e conectadas com a sociedade, reafirmando um modelo de colegialidade. É preciso ir além: não devemos ter medo de levantar certos debates. Em um ano de eleições, isso se torna ainda mais relevante. Estar atento aos sinais de retrocesso democrático é parte de nossa responsabilidade. A história mostra que, nos anos de chumbo, educadores e educadoras tiveram atuações quase heróicas, muitos deles sequer conhecidos hoje, pois nos foi negado o direito à memória. Por isso, precisamos seguir firmes na defesa da democracia, reafirmando os valores e a coragem daqueles que resistiram em nome do pensamento crítico, da ciência e da cidadania. Porque tanto a democracia precisa da universidade para existir, quanto a Universidade precisa da Democracia para cumprir seu papel de educar. Sem liberdade, não há universidade. |
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