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[NOTA] Quarenta anos depois: o capítulo que insiste em não fechar


Neste 31 de março, data que marca o golpe de 1964, a pergunta permanece: por que ainda convivemos com ecos tão presentes desse passado? 


Na nossa Comunidade Universitária celebramos recentemente, nas comemorações dos 40 anos da ADPUC Minas, a redemocratização e o retorno, na vida acadêmica, da liberdade de cátedra e do direito de organização dos corpos docente e discente na luta por uma educação de qualidade para a formar cidadãos e cidadãs. 


Essa memória se torna ainda mais significativa quando lembramos que em Minas Gerais, e em todo o Brasil, as universidades viveram sob vigilância constante. Pensar era perigoso. Mas a repressão ultrapassava os limites das salas de aula: censurava, perseguia, silenciava professores e estudantes.


É nesse contexto que o filme "O Agente Secreto", em cartaz em todo o Brasil, nos ajuda a olhar para essa história com mais nitidez. Ao retratar a trajetória de um professor perseguido pela repressão, revela como o ambiente acadêmico foi atravessado pelo medo e pelo controle. Mais do que revisitar o passado, o filme nos desafia a perceber como essas marcas  da repressão ainda permanecem. 


Estudantes saem abraçados do campus Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG. 1977. Acervo Projeto República.
Estudantes saem abraçados do campus Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG. 1977. Acervo Projeto República.

Um país que não enfrenta seu passado está condenado a repeti-lo.  


Não por acaso, as Universidades, principalmente em ano eleitoral, permanecem como alvo de discursos  autoritários e antidemocráticos. Observamos a desvalorização da ciência, tentativas de controle ideológico, ataques à autonomia universitária e discursos e atitudes que deslegitimam o pensamento crítico. Professores e professoras continuam sob suspeita de “doutrinação”, em nome de supostos “bons costumes” e “isenção ideológica”. O cenário muda, mas a lógica persiste: controlar o pensamento para limitar o futuro. 


Por isso, construir memória não é escolha. É necessidade! E ela também se faz nas decisões do presente. Em 2024, por exemplo, a antiga Avenida 31 de Março (onde localiza-se as portarias 7, 8 e 9 da PUC Coração Eucarístico), foi renomeada para Avenida Edgar da Mata Machado, em homenagem ao professor da PUC Minas, jurista, jornalista e opositor da ditadura, perseguido e cassado pelo regime.


Mais do que simbólico, é um posicionamento: substituir a marca do autoritarismo pela lembrança de quem resistiu. Esse mesmo compromisso orientou as discussões promovidas pela ADPUC Minas no último ano, ao refletir sobre a universidade e democracia nos 40 anos da redemocratização. 



Nessa ocasião, reafirmamos o papel fundamental da universidade na formação de uma sociedade crítica e consciente, além de destacar a importância de democratizar também suas próprias estruturas, tornando-as mais participativas, plurais e conectadas com a sociedade, reafirmando um modelo de colegialidade.


É preciso ir além: não devemos ter medo de levantar certos debates. Em um ano de eleições, isso se torna ainda mais relevante. Estar atento aos sinais de retrocesso democrático é parte de nossa responsabilidade. A história mostra que, nos anos de chumbo, educadores e educadoras tiveram atuações quase heróicas, muitos deles sequer conhecidos hoje, pois nos foi negado o direito à memória.


Por isso, precisamos seguir firmes na defesa da democracia, reafirmando os valores e a coragem daqueles que resistiram em nome do pensamento crítico, da ciência e da cidadania. Porque tanto a democracia precisa da universidade para existir, quanto a Universidade precisa da Democracia para cumprir seu papel de educar. 


Sem liberdade, não há universidade.



 
 
 

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